Meu maravilhoso ser

Estou aqui sentada a observar-te, a reparar o quanto já cresceste e a cada dia que passa te tornas mais linda em todos os aspetos. Tu és a prova que eu ainda faço algo bem. Eu vivo por ti e para ti, cada segundo da minha vida e é de ti, que tiro as forças […]

Meu maravilhoso ser

Nada de metas cumpridas!

Todo fim do ano, pareço um político que promete, promete e não cumpre nada.

Já estamos na segunda metade de 2021 e nem uma única meta cumprida sequer.

Este, pior que os anteriores, nem tentei, limitei-me a ficar simplesmente estagnada, sempre a inventar desculpas para ficar fechada em casa, sem fazer absolutamente nada, mal as tarefas mais básicas faço. Só saio para trabalhar quando as contas em alerta vermelho e logo assim que consigo, volto a fechar-me novamente entre quatro paredes e assim se passaram já seis meses.

Sinto-me uma completa fraude, procastino por tudo e por nada, não me sinto bem em lugar nenhum, nem com ninguém, para além da minha filha, que é graças a ela que ainda estou de pé. Devo-lhe isso. Até do apoio psicológico eu desisti, porque sentia que me estava a enganar a mim mesma, mas sinto-me tão à deriva, sem objetivos. Estou tão, mas tão frustrada comigo mesma.

Vamos ver se dou a volta por cima, mais uma vez, na minha vida e atingo, pelo menos uma parte das minhas metas. Onde está a força que tinha? Onde estás tu????

Metas para 2021

Objetivos para cumprir: 

  • Meditação em silêncio ou guiada, budismo (no templo Kadampa).
  • Dormir, descansar, evitar ansiedade.
  • Sentir-me em conexão comigo mesma.
  • Cultivar relacionamentos positivos, afastar o que não me faz crescer.
  • Apreciar algo belo em mim e cuidar fisicamente.
  • Cuidar de peso e alimentação saudavel com jejum intermitente
  • Deixar de fumar ou pelo menos diminuir (cigarro vapor)
  • Fazer contas aos ganhos/gastos e poupar o máximo.
  • Mentalizar afirmações positivas e objetivos futuros
  • Movimentar o corpo. caminhar, alongar-me e dançar
  • Manter foco e procurar proposito interior.
  • Escutar músicas que gosto.
  • Escrever um livro/ blog.
  • Ler livros e textos inspiradores.  -Valorizar bênçãos diárias e expressar sua gratidão. 

Coronavírus e prostituição

Desde que se iniciou esta pandemia, que pelos vistos, esta veio para ficar, a profissional do sexo ficou ainda mais desprotegida. Se já era doloroso a vida que praticávamos, com a vinda do Covid 19, piorou e bastante, acreditem!

Agora, além do sofrimento e abuso, tanto do corpo como da alma, existe o desespero e fome a juntar-se ao peso a suportar com este oficio.

Poucas de nós tínhamos guardado dinheiro suficiente para tantos meses de crise e quase sem clientes. Algumas conseguiram manter-se por casa até o dinheiro acabar, que foi o meu caso e outras viram-se obrigadas a correr o risco de serem contaminadas, pois ou era isso ou passariam fome, tanto elas como os filhos e famílias, em que na grande maioria, apenas elas são o sustento. Óbvio que se não tivesse forma de me sustentar também faria o mesmo, pois o medo de ver os filhos com fome é maior do que o contágio da doença.

E da mesma forma, mais cedo ou mais tarde, chega a hora em que a poupança acaba e lá vamos nós tentar ganhar algum dinheiro, sim, porque por pouco que seja é melhor que nada. Eu já estou nessa fase, em que tento economizar o pouco que ganho para conseguir cobrir, pelo menos as despesas mais importantes. A tentar arranjar solução e acordos de pagamento para aquilo que já se encontra em atraso.

A minha cabeça anda à roda de tanto pensar em tudo, mesmo sem ir trabalhar sinto-me tão cansada, exausta. A cada dia, o medo possui-me mais, apoderando-se de mim com uma rapidez estonteante. Se o futuro já antes era incerto, como será agora? Não vejo tendência para melhoras, mas também não irei baixar os braços, prometo-o a mim e à minha filha.

Vamos todos ficar bem!

Nada é mesmo nosso!

2020 ensinou-nos isso... Com tudo o que nos aconteceu desde março deste ano aprendi que não temos nada garantido na vida e que nem tudo, ou melhor, muito não depende de nós, mesmo que esteja diretamente e unicamente ligado à nossa pessoa.

Solidão ou solitude, qual será que estou a viver agora? Nem sei bem, pois se estou sozinha quero companhia e ao ter companhia, sinto-me incomodada, mas talvez seja por não ter a companhia certa. Mas se atualmente tiver que escolher uma das duas prefiro ficar sozinha, talvez posso estar a habituar-me a viver em plena solidão, a isolar-me social e emocionalmente.

Nunca fiquei sem tentar planear o meu futuro, de alguma forma, mas agora, mais do que nunca isso está fora do meu alcance e de todos nós. E atualmente ninguém o tem como fazer planos ou impôr metas, apenas estamos cobertos de medo, incertezas e dúvidas.

A falta de apoios, sem poupanças, nem família que me jogue a mão, caso eu caia, faz a minha ansiedade ficar em altas e uma angústia constante.

Aprendi que estamos mais sozinhos do que nunca e que só podemos contar com nós próprios. Que devemos aprender a aceitar quem somos, a forma como vivemos e acima de tudo, ser feliz com aquilo que temos no presente.

Ser a outra, a amante!

É aquela que nunca será apresentada ao círculo de amigos, nem à família. É a que passa o Natal e os restantes dias festivos sozinha e pouco fala sobre a sua relação aos seus familiares.

Sonha com um futuro risonho a dois, mesmo sabendo que nunca irá acontecer. Enfim, a outra é simplesmente a outra, pois para ele, ela nunca será a prioridade. Será a sua pastilha elástica que mastiga enquanto sabe bem, depois de amargar, cospe e deita no lixo, assim é a amante!

É completamente mentira quando falam que todas as amantes querem apenas dinheiro, prendas, sexo e diversão. Pode existir uma percentagem, sim, mas a grande maioria é carente de atenção, carinho e amor, sujeitando-se assim às condições impostas pelo parceiro, vivendo, por vezes, anos na ilusão de que um dia ele será exclusivamente dela e serão felizes para sempre. Vivem na mentira e na ilusão constante, na eterna espera pelo seu amado.

O poço pode ser ainda mais fundo!?!

Ambição e poupança? Isso não é a causa de certeza absoluta, pois agora mais do quee nunca, sinto-me a caminhar em cima de uma corda bem fina, a fazer equilibrismo e posso dizer que ando a contar cada cêntimo que gasto, pois os ganhos mal dão para cobrir as despesas. Mas o medo e pavor que se está a instalar em mim, com o número de assaltos a aumentar a olhos vistos, agressões e miséria, dá cada vez menos vontade de sair de casa, apesar de que é horrível para a minha sanidade mental, que já está a dar as ultimas. Tudo isto parece-me um pesadelo, que desejo acordar rapidamente e que volte tudo, pelo menos como estava.

Perder a vida a tentar ganha-la, é aquilo que faço e pelos vistos irei continuar a fazer nos tempos próximos, apenas passou a ser também, de forma digital, com uma maior vulnerabilidade e exposição de imagem, mas pelo menos aí, estou protegida desse maldito vírus. E sinceramente o antigo método, já deu alguma coisa, mas agora está difícil de aguentar, pois independentemente do local, se trouxer para casa 40€ ou 50€ já é uma sorte enorme. Não compensa de forma alguma tamanho risco de saúde.

Os empregos estão a ficar cada vez mais escassos e mal pagos, onde mal uma pessoa sozinha consegue sobreviver, quanto mais ao ser mãe solteira.

Tenho que continuar a aguentar e talvez, o melhor que tenha a fazer é dar-me por vencida e aceitar de uma vez por todas que será isto que vou fazer da minha vida. Pois, não vejo outra saída, nem nenhum princípe, num cavalo branco a vir salvar-me.

Na minha vida, praticamente foi sempre o que exerci, de uma forma ou de outra, foi o que sempre fiz e tenho que me aceitar e, talvez perceber que nasci para isso mesmo. Não sei se é o destino ou a minha estupidez, mas já não tenho mais forças para lutar contra. É igual ou pior que a heroína, parece-me.

Coronavírus e prostituição

Desde que se iniciou esta pandemia, que pelos vistos, esta veio para ficar, a profissional do sexo ficou ainda mais desprotegida. Se já era doloroso a vida que praticávamos, com a vinda do Covid 19, piorou e bastante, acreditem!

Agora, além do sofrimento e abuso, tanto do corpo como da alma, existe o desespero e fome a juntar-se ao peso a suportar com este oficio.

Poucas de nós tínhamos guardado dinheiro suficiente para tantos meses de crise e quase sem clientes. Algumas conseguiram manter-se por casa até o dinheiro acabar, que foi o meu caso e outras viram-se obrigadas a correr o risco de serem contaminadas, pois ou era isso ou passariam fome, tanto elas como os filhos e famílias, em que na grande maioria, apenas elas são o sustento. Óbvio que se não tivesse forma de me sustentar também faria o mesmo, pois o medo de ver os filhos com fome é maior do que o contágio da doença.

E da mesma forma, mais cedo ou mais tarde, chega a hora em que a poupança acaba e lá vamos nós tentar ganhar algum dinheiro, sim, porque por pouco que seja é melhor que nada. Eu já estou nessa fase, em que tento economizar o pouco que ganho para conseguir cobrir, pelo menos as despesas mais importantes. A tentar arranjar solução e acordos de pagamento para aquilo que já se encontra em atraso.

A minha cabeça anda à roda de tanto pensar em tudo, mesmo sem ir trabalhar sinto-me tão cansada, exausta. A cada dia, o medo possui-me mais, apoderando-se de mim com uma rapidez estonteante. Se o futuro já antes era incerto, como será agora? Não vejo tendência para melhoras, mas também não irei baixar os braços, prometo-o a mim e à minha filha.

Vamos todos ficar bem!

Viver com depressão!

 Depressão é a pior doença que alguém poderá ter, acreditem em mim…!

 Passava da pessoa mais inteligente, querida e fantástica do mundo à pior pessoa do mundo, com especial predileção em me agredir, ainda que apenas emocionalmente.

 Com a rotina desenfreada entre filha pequena e o trabalho precário, vi-me obrigada a focar a atenção em mim quando a energia começou a falhar! 

A depressão é caracterizada por um estado profundo de tristeza e desinteresse pela vida. Quando estamos deprimidos sentimos uma enorme tristeza que atravessa todas as áreas da nossa vida. E mesmo a mais pequena coisa pode tornar-se extremamente difícil de realizar. Sentimo-nos invadidos por um enorme cansaço e falta de energia persistentes. Esta doença é também na maior parte das vezes, acompanhada por uma perda ou aumento de apetite, alterações nos padrões de sono e diminuição do desejo sexual. É mais vezes um efeito de bola de neve, fazendo com que uma pessoa acredite que é inútil, incapaz, que não tem valor e tudo isso faz com que haja uma diminuição de autoestima. Por vezes surgem também, pensamentos negativos ligados ao suicídio.

Esta doença arrastou-se sobre mim silenciosamente, no inicio eu lutava contra pequenas coisas, que normalmente escolhemos ignorá-las.

Era como uma dor de cabeça que insistia em dizer que era temporária, que iria passar, que era apenas mais um dia mau. Mas não era, estava a ficar presa naquele estado mental e ia-me acostumando a colocar uma mascara social para ir sobrevivendo no meio da multidão. No entanto o problema não passava, era uma luta para me levantar a cada dia e cada vez mais difícil. Quando dei por mim já tinha batido no fundo, aos poucos fui afastando-me de amigos e família e às vezes isolava-me completamente deles e de tudo. Só o escuro e o silencio era a minha companhia perfeita. As pequenas coisas que antes me alegravam, eram apenas sem importância e até mesmo as tarefas mais simples tornaram-se dolorosas, cada vez mais sem motivação, tudo só me fazia sentir pior, via-me presa num circulo vicioso.

O processo de recuperação é bastante lento.

Da mesma forma que me fui desmoronando, tive que ter forças para me levantar e seguir a minha vida.

A Fluoxetina (tão conhecida como Prozac), não nos leva à cura, mas dá tempo para respirar, repensar e recomeçar.

Os médicos são os nossos traficantes, os farmacêuticos os nossos fornecedores pois é uma droga, tornamo-nos dependentes, viciados, dai chama-la de “pilula cor de rosa”.

A nossa personalidade fica emocionalmente afetada, ela mascara tudo à nossa volta, torna tudo diferente.

Quantas vezes decidi parar, largar o remédio. Quantas vezes prometi que seria capaz, mas ao fim de pouco tempo começava a sentir o chão a sair debaixo dos meus pés e o mundo a desmoronar-se na minha cabeça e como qualquer drogado, assim que tudo começa a cair agarra-se novamente ao “produto”.

Ao contrario de muitos, nunca, mas nunca mesmo pensei em suicídio, porque olho para os meus filhos e não merecem isso, merecem sim ver a mãe como um exemplo, uma guerreira.

Tomo até hoje 20mg/dia de fluoxetina pela manha em jejum, tal tratamento não tem duração estipulada, tenho que tomar por tempo indeterminado até que algo me faça sentir melhor e capaz de seguir sem o apoio da “moleta”, tendo que para isso, fazer o desmame inicialmente.

Create your website with WordPress.com
Iniciar
%d bloggers like this: