Metas para 2021

Objetivos para cumprir: 

  • Meditação em silêncio ou guiada, budismo (no templo Kadampa).
  • Dormir, descansar, evitar ansiedade.
  • Sentir-me em conexão comigo mesma.
  • Cultivar relacionamentos positivos, afastar o que não me faz crescer.
  • Apreciar algo belo em mim e cuidar fisicamente.
  • Cuidar de peso e alimentação saudavel com jejum intermitente
  • Deixar de fumar ou pelo menos diminuir (cigarro vapor)
  • Fazer contas aos ganhos/gastos e poupar o máximo.
  • Mentalizar afirmações positivas e objetivos futuros
  • Movimentar o corpo. caminhar, alongar-me e dançar
  • Manter foco e procurar proposito interior.
  • Escutar músicas que gosto.
  • Escrever um livro/ blog.
  • Ler livros e textos inspiradores.  -Valorizar bênçãos diárias e expressar sua gratidão. 

Coronavírus e prostituição

Desde que se iniciou esta pandemia, que pelos vistos, esta veio para ficar, a profissional do sexo ficou ainda mais desprotegida. Se já era doloroso a vida que praticávamos, com a vinda do Covid 19, piorou e bastante, acreditem!

Agora, além do sofrimento e abuso, tanto do corpo como da alma, existe o desespero e fome a juntar-se ao peso a suportar com este oficio.

Poucas de nós tínhamos guardado dinheiro suficiente para tantos meses de crise e quase sem clientes. Algumas conseguiram manter-se por casa até o dinheiro acabar, que foi o meu caso e outras viram-se obrigadas a correr o risco de serem contaminadas, pois ou era isso ou passariam fome, tanto elas como os filhos e famílias, em que na grande maioria, apenas elas são o sustento. Óbvio que se não tivesse forma de me sustentar também faria o mesmo, pois o medo de ver os filhos com fome é maior do que o contágio da doença.

E da mesma forma, mais cedo ou mais tarde, chega a hora em que a poupança acaba e lá vamos nós tentar ganhar algum dinheiro, sim, porque por pouco que seja é melhor que nada. Eu já estou nessa fase, em que tento economizar o pouco que ganho para conseguir cobrir, pelo menos as despesas mais importantes. A tentar arranjar solução e acordos de pagamento para aquilo que já se encontra em atraso.

A minha cabeça anda à roda de tanto pensar em tudo, mesmo sem ir trabalhar sinto-me tão cansada, exausta. A cada dia, o medo possui-me mais, apoderando-se de mim com uma rapidez estonteante. Se o futuro já antes era incerto, como será agora? Não vejo tendência para melhoras, mas também não irei baixar os braços, prometo-o a mim e à minha filha.

Vamos todos ficar bem!

Nada é mesmo nosso!

2020 ensinou-nos isso... Com tudo o que nos aconteceu desde março deste ano aprendi que não temos nada garantido na vida e que nem tudo, ou melhor, muito não depende de nós, mesmo que esteja diretamente e unicamente ligado à nossa pessoa.

Solidão ou solitude, qual será que estou a viver agora? Nem sei bem, pois se estou sozinha quero companhia e ao ter companhia, sinto-me incomodada, mas talvez seja por não ter a companhia certa. Mas se atualmente tiver que escolher uma das duas prefiro ficar sozinha, talvez posso estar a habituar-me a viver em plena solidão, a isolar-me social e emocionalmente.

Nunca fiquei sem tentar planear o meu futuro, de alguma forma, mas agora, mais do que nunca isso está fora do meu alcance e de todos nós. E atualmente ninguém o tem como fazer planos ou impôr metas, apenas estamos cobertos de medo, incertezas e dúvidas.

A falta de apoios, sem poupanças, nem família que me jogue a mão, caso eu caia, faz a minha ansiedade ficar em altas e uma angústia constante.

Aprendi que estamos mais sozinhos do que nunca e que só podemos contar com nós próprios. Que devemos aprender a aceitar quem somos, a forma como vivemos e acima de tudo, ser feliz com aquilo que temos no presente.

Ser a outra, a amante!

É aquela que nunca será apresentada ao círculo de amigos, nem à família. É a que passa o Natal e os restantes dias festivos sozinha e pouco fala sobre a sua relação aos seus familiares.

Sonha com um futuro risonho a dois, mesmo sabendo que nunca irá acontecer. Enfim, a outra é simplesmente a outra, pois para ele, ela nunca será a prioridade. Será a sua pastilha elástica que mastiga enquanto sabe bem, depois de amargar, cospe e deita no lixo, assim é a amante!

É completamente mentira quando falam que todas as amantes querem apenas dinheiro, prendas, sexo e diversão. Pode existir uma percentagem, sim, mas a grande maioria é carente de atenção, carinho e amor, sujeitando-se assim às condições impostas pelo parceiro, vivendo, por vezes, anos na ilusão de que um dia ele será exclusivamente dela e serão felizes para sempre. Vivem na mentira e na ilusão constante, na eterna espera pelo seu amado.

O poço pode ser ainda mais fundo!?!

Ambição e poupança? Isso não é a causa de certeza absoluta, pois agora mais do quee nunca, sinto-me a caminhar em cima de uma corda bem fina, a fazer equilibrismo e posso dizer que ando a contar cada cêntimo que gasto, pois os ganhos mal dão para cobrir as despesas. Mas o medo e pavor que se está a instalar em mim, com o número de assaltos a aumentar a olhos vistos, agressões e miséria, dá cada vez menos vontade de sair de casa, apesar de que é horrível para a minha sanidade mental, que já está a dar as ultimas. Tudo isto parece-me um pesadelo, que desejo acordar rapidamente e que volte tudo, pelo menos como estava.

Perder a vida a tentar ganha-la, é aquilo que faço e pelos vistos irei continuar a fazer nos tempos próximos, apenas passou a ser também, de forma digital, com uma maior vulnerabilidade e exposição de imagem, mas pelo menos aí, estou protegida desse maldito vírus. E sinceramente o antigo método, já deu alguma coisa, mas agora está difícil de aguentar, pois independentemente do local, se trouxer para casa 40€ ou 50€ já é uma sorte enorme. Não compensa de forma alguma tamanho risco de saúde.

Os empregos estão a ficar cada vez mais escassos e mal pagos, onde mal uma pessoa sozinha consegue sobreviver, quanto mais ao ser mãe solteira.

Tenho que continuar a aguentar e talvez, o melhor que tenha a fazer é dar-me por vencida e aceitar de uma vez por todas que será isto que vou fazer da minha vida. Pois, não vejo outra saída, nem nenhum princípe, num cavalo branco a vir salvar-me.

Na minha vida, praticamente foi sempre o que exerci, de uma forma ou de outra, foi o que sempre fiz e tenho que me aceitar e, talvez perceber que nasci para isso mesmo. Não sei se é o destino ou a minha estupidez, mas já não tenho mais forças para lutar contra. É igual ou pior que a heroína, parece-me.

Coronavírus e prostituição

Desde que se iniciou esta pandemia, que pelos vistos, esta veio para ficar, a profissional do sexo ficou ainda mais desprotegida. Se já era doloroso a vida que praticávamos, com a vinda do Covid 19, piorou e bastante, acreditem!

Agora, além do sofrimento e abuso, tanto do corpo como da alma, existe o desespero e fome a juntar-se ao peso a suportar com este oficio.

Poucas de nós tínhamos guardado dinheiro suficiente para tantos meses de crise e quase sem clientes. Algumas conseguiram manter-se por casa até o dinheiro acabar, que foi o meu caso e outras viram-se obrigadas a correr o risco de serem contaminadas, pois ou era isso ou passariam fome, tanto elas como os filhos e famílias, em que na grande maioria, apenas elas são o sustento. Óbvio que se não tivesse forma de me sustentar também faria o mesmo, pois o medo de ver os filhos com fome é maior do que o contágio da doença.

E da mesma forma, mais cedo ou mais tarde, chega a hora em que a poupança acaba e lá vamos nós tentar ganhar algum dinheiro, sim, porque por pouco que seja é melhor que nada. Eu já estou nessa fase, em que tento economizar o pouco que ganho para conseguir cobrir, pelo menos as despesas mais importantes. A tentar arranjar solução e acordos de pagamento para aquilo que já se encontra em atraso.

A minha cabeça anda à roda de tanto pensar em tudo, mesmo sem ir trabalhar sinto-me tão cansada, exausta. A cada dia, o medo possui-me mais, apoderando-se de mim com uma rapidez estonteante. Se o futuro já antes era incerto, como será agora? Não vejo tendência para melhoras, mas também não irei baixar os braços, prometo-o a mim e à minha filha.

Vamos todos ficar bem!

Viver com depressão!

 Depressão é a pior doença que alguém poderá ter, acreditem em mim…!

 Passava da pessoa mais inteligente, querida e fantástica do mundo à pior pessoa do mundo, com especial predileção em me agredir, ainda que apenas emocionalmente.

 Com a rotina desenfreada entre filha pequena e o trabalho precário, vi-me obrigada a focar a atenção em mim quando a energia começou a falhar! 

A depressão é caracterizada por um estado profundo de tristeza e desinteresse pela vida. Quando estamos deprimidos sentimos uma enorme tristeza que atravessa todas as áreas da nossa vida. E mesmo a mais pequena coisa pode tornar-se extremamente difícil de realizar. Sentimo-nos invadidos por um enorme cansaço e falta de energia persistentes. Esta doença é também na maior parte das vezes, acompanhada por uma perda ou aumento de apetite, alterações nos padrões de sono e diminuição do desejo sexual. É mais vezes um efeito de bola de neve, fazendo com que uma pessoa acredite que é inútil, incapaz, que não tem valor e tudo isso faz com que haja uma diminuição de autoestima. Por vezes surgem também, pensamentos negativos ligados ao suicídio.

Esta doença arrastou-se sobre mim silenciosamente, no inicio eu lutava contra pequenas coisas, que normalmente escolhemos ignorá-las.

Era como uma dor de cabeça que insistia em dizer que era temporária, que iria passar, que era apenas mais um dia mau. Mas não era, estava a ficar presa naquele estado mental e ia-me acostumando a colocar uma mascara social para ir sobrevivendo no meio da multidão. No entanto o problema não passava, era uma luta para me levantar a cada dia e cada vez mais difícil. Quando dei por mim já tinha batido no fundo, aos poucos fui afastando-me de amigos e família e às vezes isolava-me completamente deles e de tudo. Só o escuro e o silencio era a minha companhia perfeita. As pequenas coisas que antes me alegravam, eram apenas sem importância e até mesmo as tarefas mais simples tornaram-se dolorosas, cada vez mais sem motivação, tudo só me fazia sentir pior, via-me presa num circulo vicioso.

O processo de recuperação é bastante lento.

Da mesma forma que me fui desmoronando, tive que ter forças para me levantar e seguir a minha vida.

A Fluoxetina (tão conhecida como Prozac), não nos leva à cura, mas dá tempo para respirar, repensar e recomeçar.

Os médicos são os nossos traficantes, os farmacêuticos os nossos fornecedores pois é uma droga, tornamo-nos dependentes, viciados, dai chama-la de “pilula cor de rosa”.

A nossa personalidade fica emocionalmente afetada, ela mascara tudo à nossa volta, torna tudo diferente.

Quantas vezes decidi parar, largar o remédio. Quantas vezes prometi que seria capaz, mas ao fim de pouco tempo começava a sentir o chão a sair debaixo dos meus pés e o mundo a desmoronar-se na minha cabeça e como qualquer drogado, assim que tudo começa a cair agarra-se novamente ao “produto”.

Ao contrario de muitos, nunca, mas nunca mesmo pensei em suicídio, porque olho para os meus filhos e não merecem isso, merecem sim ver a mãe como um exemplo, uma guerreira.

Tomo até hoje 20mg/dia de fluoxetina pela manha em jejum, tal tratamento não tem duração estipulada, tenho que tomar por tempo indeterminado até que algo me faça sentir melhor e capaz de seguir sem o apoio da “moleta”, tendo que para isso, fazer o desmame inicialmente.

Uma carta do meu ser!

Olá, não te vou perguntar como estás pois sei que não estás nos teus melhores dias, que te sentes confusa, perdida e com medo, mas não te preocupes, pois irás dar a volta. Tornaste-te uma pessoa sofrida, mas bondosa e resiliênte. Já te vi a cair vezes sem conta, muitas pessoas após as primeiras quedas já não se levantariam e tu, até contra a morte já lutaste e continuas a batalhar dia após dia para vencer esta batalha.

Digo-te já que não será fácil, nada mesmo, mas com todas as lições que a vida te deu será que ainda não aprendeste nada? Será que ainda não sabes o teu propósito ou pretendes andar a enganar-te eternamente?

Olha à tua volta de uma vez por todas e vê bem a sorte enorme que tens tido, apesar de tudo o que já passaste? Já imaginaste que poderiam ter corrido de outra forma? De outra maneira, não tão feliz? Valoriza o que tens e valoriza-te. Olha-te no espelho e ao veres cada marca, cada cicatriz, lembra-te que foi apenas mais uma guerra em que tiveste e venceste essa batalha.

Recupera aquela alegria contagiante que tinhas e um pouco do brilho dos teus olhos, também não faria mal nenhum.

Compreendo, com as experiências que já tiveste, talvez seja normal teres desacreditado no amor, mas pensa que tens o amor incondicional da tua filha, sem dúvida que é mutúo e esse é puro e para todo o sempre.

Agora gostava de saber o que aconteceu ao teu amor próprio, a essa energia louca? O que lhe fizeste? No que te tornaste? Sabes dizer-me quem és tu agora?

O que te tornaria uma pessoa feliz? Reflete, corre atrás e vence!

Preciso de ajuda!

Amanhã irei a uma associação em Lisboa, que apoia especialmente mulheres da area da prostituição. Vou procurar ajuda, já não aguento mais esta vida.

Estou perdida, admito que preciso de ajuda em praticamente todos os aspetos. É tão difícil ser forte a toda a hora, sem apoio algum de nada nem ninguém. O que me faz continuar a lutar e não desistir, é ter a minha princesa, que só me tem a mim! Nem posso pensar o que seria dela se me acontecesse algo. Ela não pediu vir a este mundo tão cruel, então cabe-me a mim protege-la e tentar que tenha uma vida feliz e estável, dentro dos possíveis.

Em quatro meses de quarentena, passei os dois ultimos a navegar pela internet à procura de uma solução para um futuro proximo, pois não posso ser aquelas mulheres que apesar de já terem idade para estarem em casa, na reforma, a maioria delas com idade para serem minhas avós. Só de olhar para elas fico com as lágrimas nos olhos e completamente apavorada. Pois e apavorada com tudo é o que mais tenho estado ultimamente. Não sei para onde me virar, nem por onde começar e sem dinheiro para nos sustentar sequer, torna tudo muito mais dificil.

Não sei se foi da pandemia ou apenas eu acabei por aproveitar e usar como pretexto para me isolar em casa,isolar do mundo, mas as contas não esperam por dias melhores, muito pelo contrário, nestas alturas aparecem sempre uns extras, que nos fazem gastar além do habitual. Visto que a poupança já era curta, posso dizer que ao pagar as despesas no inicio do mês, não sobrará nada mais, apenas o meu corpo e aguentar ser usada e abusada para conseguirmos sobreviver. Sinceramente já nem sei o que me faz sentir no ato, ao fim de tantos anos, acabamos por ficar vazias e insensiveis ao toque daqueles homens que nos usam, mas psicologicamente, continua a ser muito pior do que levar um enxerto de porrada.

Eu sei, que mesmo assim devo estar grata, pois ainda não deixei faltar nada à minha filha e sei que sou uma mãe muito presente e tento ser melhor a cada dia, pois com tudo o que se passa e ao mesmo tempo estar atenta a todas as mudanças do seu crescimento e como se forma a sua personalidade, não é nada fácil mesmo.

Olho à minha volta, já existe muita fome e pessoas a ficarem sem casa e falo de pessoas que tinham até à uns meses uma vida estável, então e eu que sempre andei presa por um fio, vejo que estou prestes a cair e não o posso permitir, devo isso a esta criança.

Amanhã, o encontro será com uma psicologa da associação e nem faço a minima ideia por onde irei começar a falar. Ao mesmo tempo, uma parte de mim diz-me que nem vale a pena, pois é a terceira vez que inicio este trajeto e ao fim de pouco tempo, desisto e rendo-me novamente à “droga”, de vida. O dinheiro, ou a falta dele, acaba sempre por falar mais alto.

Preciso de me voltar a sentir um ser humano, preciso de viver, por favor!

Confinamento novamente. E agora?

Não acredito no que está a acontecer. Estou a entrar em pânico, pois na primeira rodada ainda existia uma pequena poupança que permitiu aguentar o barco durante quatro meses e logo agora, apenas com um dia de volta ao “trabalho” e que por sinal foi fraquissimo, chego a casa e dou uma vista de olhos pelas noticias para me manter minimamente atualizada, dou conta que apartir de dia 1 de julho vamos voltar a estar confinados ao concelho de residência, o que significa que não poderei ir tentar ganhar alguma coisa que seja, pois os meus “patrões” não têm como passar declaração alguma.

Ficarei em casa com pouco, quase nenhum dinheiro, cheia de contas para pagar e sem saber o que poderei fazer para remediar a situação. Só tenho vontade de chorar de tão apavorada que estou mas nem isso eu consigo. Estou a ficar sem forças, cansada e exausta, mas o que poderei fazer??? Não tenho ninguém a quem recorrer para pedir ajuda, nem desabafar os meus medos. Tenho que ser forte e aguentar da melhor força, sem deixar que a criança se aperceba. Cada dia está a ser mais difícil aguentar a solidão, a depressão que me estagna, juntamente com o medo que me assombra. Como irei dar a volta???? Por favor, Deus nos proteja!

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