O meu sexto sentido…

Hoje era o dia em que ia retomar à minha profissão desde sempre, tirando algumas tentativas falhadas, mas acordei com uma enorme ansiedade, sentia-me meio zonza e com o coração acelerado, tive que recorrer a um comprimido de fluoxetina, que nunca falta na minha rotina matinal e na maioria das vezes costumo tomar dois de 20 mg, estava com uma dor de cabeça horrivel, tomei também um beu-no-ron e terminei a dosagem com um diazepam de 5mg, para ver que conseguia recicionar.

A minha cabeça estava confusa, porque apesar de não querer ir, sei que o dinheiro da poupança está a acabar, porque foram três meses em casa seguidos e adquiri um portátil novo (no próximo post explico a razão), apesar de me ter arrependido.

Bem, era pensava que tinha que ir, especialmente porque tenho pouco mais de uma semana para arranjar dinheiro para renda de casa, atl da minha filha, selo e inspeção do carro, para além das contas de água, luz gás e internet, que ao empurrar com a barriga já estão a dobrar, eu também tenho que voltar à luta e não posso esconder-me da sociedade para sempre.

Mas, só de recordar o toque daqueles homens em mim, velhos, gordos, magros, porcos, encontra-se de tudo mesmo, acreditem, até me arrepiava, mas tinha que ir, porque já tentei de tudo o que estava ao meu alcance e mesmo assim tinha que mexer nas poucas poupanças que existiam, também lembrava-me que ia deitar-me com ele por meia hora, pelo valor de 15€ pois a outra metade fica para a dona da casa e se pelas minhas contas iria precisar de ganhar em média 50€ por dia, tinha que fazer uns três ou quatro para atingir esse valor. Que injusto que é, além desses homens nos usarem como bonecas sexuais, ainda temos que entregar metade do que duramente se ganhou a quem está sentada na sala a ver tv.

Fui tomar café com a minha filha antes de a levar, sempre com a cabeça a mil, após a deixar, fui novamente tomar outro café, agora já sozinha para decidir de uma vez o que iria fazer hoje, a mala do “trabalho” estava no carro pronta, mas sempre tinha a hipotese de voltar para minha casa, desarrumar a mala e tentar a webcam. Acabei por faturar 65€ em 2 horas de show, sem ninguém me tocar. Já tinha estado uns dias, durante a noite a tentar ganhar algum dinheiro e apesar de ter sexo na mesma e expor-me bastante, não me senti tão mal, por hoje. Amanhã volto aqui para vos contar como tem sido a minha experiência como camgirl….

Meu maravilhoso ser

Estou aqui sentada a observar-te, a reparar o quanto já cresceste e a cada dia que passa te tornas mais linda em todos os aspetos. Tu és a prova que eu ainda faço algo bem.

Eu vivo por ti e para ti, cada segundo da minha vida e é de ti, que tiro as forças para conseguir aguentar esta vida, este pesadelo em que vivo constantemente.

Estás tão independente e esperta que até dá medo, ou melhor, atualmente posso dizer que tenho medo de tudo o que nos espera, o que mais virá por aí, ainda.

Por vezes, penso que já falta pouco, mas pouco para o quê afinal? Em sete anos, tento que aconteceu, foi tanto o que nós as duas sozinhas já passamos, foi tanta angustia e sofrimento, mas também muitas alegrias e sem dúvida, que passaria por tudo novamente, para te ter sempre e para sempre comigo.

Tento imaginar em quem te irás tornarás e o que farás da vida, ou o que a vida fará de ti. Espero esteja a criar-te da melhor forma, pois, perfeita estou muito longe de estar, mas faço o melhor quer posso, com aquilo que tenho.

AMO-TE MUITO MINHA FILHA…

ODEIO AMAR-TE TANTO!!!

Gostava que estas não fossem as minhas ultimas palavras para ti, porque nem tu, nem ninguém, apenas Deus e eu sabemos como têm sido os meus dias desde que te conheci. Só Deus e eu sabemos o esforço que faço todos os dias da minha vida para tentar aceitar um fim que nunca quis, uma ausência que nunca imaginei vir a sentir, uma saudade descontrolada que me invade a alma e corroí-me o coração. Quanto me dói a distância, a saudade e ainda ter que esquecer quem tanto eu amo, somando ainda o facto dessa mesma pessoa não me amar.

 Eu iria contra o mundo inteiro por ti, por nós, e tu viras as costas sem explicação, sem entender bem o motivo, a razão e o verdadeiro porquê. Sinto-me tao revoltada, tão magoada, tão saturada, tão desgastada e o tempo tem sido implacável comigo, têm-me posto a prova de todas as maneiras e mais algumas.

Nunca conseguirei aceitar, o que não tem entendimento possível. Cada vez que eu penso que estou prestes a esquecer-te, eis que algo acontece e tomba-me, derruba-me, é como todos os dias vivesse no centro de um tsunami.

Já chorei, contorci-me, implorei a mim mesma para ganhar forças, e acredita, o coração doí muito mais do que ter as duas pernas partidas, não existe Fluoxetina, Diazepam, Clonix, medicamento algum para ajudar a suportar, tenho que as aguentar, e muitas das vezes, era bem melhor estar com as duas pernas partidas pois, pelo menos, essa dor passava com um medicamento.

Eu errei, claro que errei, principalmente por me ter apaixonado, praticamente desde o primeiro mês em que nos conhecemos. Foste a melhor pessoa que conheci, pelo menos naquela época. Já passaram quase 18 meses, sofridos, conturbados, mas amados.

 Ganhei muito em te ter conhecido, mas, também perdi…. perdi a minha alegria de viver, o meu sorriso sincero, a minha paz interior, o meu coração morreu…. Tornei-me uma morta-viva.

Eu sempre esperei por ti, durante uns bons tempos aguentei, queixei-me, gritei…. Enfim, apesar de tudo, com as restantes pessoas eu estou sempre disposta a sorrir, a brincar, mas ninguém imagina o quanto destruída, estou eu por dentro. O quanto eu choro, o quanto eu me sinto sem forças, sem vontade de continuar, sem paciência para lutar.

 Eu sei que preciso de ajuda, sozinha ou não eu vou conseguir ultrapassar isto, vivo no meu cantinho, enquanto a vida me passa ao lado.

 Procuro ajuda psicológica, alguém que me acompanhe, que me faça descobrir novos caminhos, alguém que me oriente, porque eu acho que estou estagnada num caos interior.

 Sabes quando olhas a tua volta e parece que está tudo a desmoronar-se? Sabes, quando o chão que tu pisas já não é assim tão sólido que suporte o teu peso? Sabes quando vês as coisas a escorrerem-te pelos dedos ser poderes fazer nada para as segurar? É assim como me sinto a cada momento…

 Amei-te mesmo nos momentos em que te odiava. Todas as mágoas que nós causamos um ao outro, nem elas apagaram o que sentia e ainda sinto por ti…

 Não te julgo por já não me amares (isto se alguma vez me amaste realmente).

 Sim, amo-te, amo-te pela tua companhia, pelo teu carinho, pela tua atenção, pelo teu jeito simples, humilde e bastante teimoso de ser. Nunca, eu iria imaginar que poderia amar tanto alguém assim. O que é mais triste disto tudo é que eu desespero por não saber o que fazer para te esquecer. Qual a receita mágica para controlarmos os sentimentos? Como matar este amor que sinto por ti? Como me libertar desta grande paixão? Eu não estou a conseguir chegar a essas respostas, e muito menos pô-las em prática.

 A minha psicoterapeuta chama “co dependência” o sentimento que tenho por ti. E como tenho feito e trabalhado para entrar na realidade, na (vida real, visto pelo teu poto de vista), tenho que admitir a mim mesma, tenho de ver, apesar de já mo teres dito e demonstrado, que “jamais ficaremos juntos”, então tenho que te matar, mesmo que eu morra por dentro.

A vida segue em frente, mas esta história ficará para todo o sempre no meu coração.

Mas acabou, terminou! O Livro desta história chegou à última página, e ao contrario dos contos de fadas esta, não teve um final Feliz.

P.S. Espero que um dia, encontre alguém que me ame como te amo a ti!!!!

Só Deus sabe!

Vai ser preciso eu sorrir mesmo quando o coração chorar, vai ser preciso manter-me firme mesmo quando as forças me faltarem. Vai ser preciso acreditar, mesmo quando eu não tiver noção da realidade, vai ser preciso coragem, força e fé. Preciso de coragem para lutar até ao fim sem desistir, preciso de força para remover as barreiras que se atravessam no meu caminho e fé para acreditar que depois da tempestade virá a bonança…Porque o resto só Deus sabe!!!

Preciso de ti

Hoje, ao refletir sobre o passado, eu vejo bem a causa maioritária da minha revolta, foi a ausência de um pai e uma mãe, que quando aparecia, só me marcava pela negativa. Vivi tantas coisas que não fui capaz de exteriorizar, guardei tudo para mim, como se uma criança fosse capaz de tal, sem que existisse consequências, pensava que tudo se apagava, como por magia, mal eu sonhava que iria tornar-me no que eu sou hoje.

Como vês, sou prostituta, como a minha mãe foi, ou ainda o é, nem sei.

Perdão por fazer o que faço, nunca foi a minha intenção magoar-te, logo a ti, que sempre me protegeste, não me orgulho nada, pelo contrário, doí a cada segundo, mata-me por dentro e por fora.

Preciso de ti, avó, preciso de desabafar contigo o que me corroi a alma, só confio em ti. Fica comigo por favor!

Carta para a minha avó

Tantos anos se passaram e nem imaginas a falta que tu e o avô me fazem. Sei que não estão nada orgulhosos de tudo o que se passou desde que partiram. Como tu sabes, eu estive bem próximo de estar junto de voçês com o acidente que tive à onze anos atrás.

Eu sei que voçês continuam a olhar por mim e pela minha filha, ela foi o melhor que que aconteceu e tenho a certeza que não parti porque ela tinha que vir ao mundo. Como tu ias amar esta menina, ela é tão linda, educada, afetuosa, sou capaz de tudo por ela, tudo mesmo. É a razão da minha luta, do meu viver, o meu maior e único orgulho.

Avó, sinto um vazio tão grande em mim, precisava tanto de estar contigo uma última vez, conversar contigo, abraçar-te. Quero partilhar todos os meu sentimentos contigo, pois eu sei que tu sempre me apoiaste em tudo, incondicionalmente, mas acima de tudo quero pedir-vos perdão aos dois.

Irei morrer arrependida por tantas coisas erradas que fiz e não o mereciam. Desde as faltas de respeito, roubado e nem ter dado valor ao vosso amor por mim e especialmente, jamais, me irei perdoar de não estar ao vosso lado, nos ultimos momentos de vida.

Tu sabes, eu sei que sim, que sempre vos amei e amarei para toda a eternidade.

Fui uma criança rebelde, revoltada com o mundo e voçêm não tinha culpa alguma, muito pelo contrário, deram o melhor de voçês, tanto de alma e coração…

Meus anjos

Eu continuo a procurar a vossa cara na multidão de estrelas no céu!
Será que ficariam envergonhados ou iriam respeitar-me e apoiar-me?
Será que me abraçavam ou me julgariam?
Queria tanto que me aquecessem com as vossas mãos o meu coração que está tão frio como no dia em que foram levados…
Já passaram tantos anos, mas eu consigo ver-vos tão claramente como quando era pequena…
Só queria um segundo para vos ver a olhar para mim agora!
Iriam chamar-me santa ou pecadora?
Iriam amar-me como uma perdedora ou como uma vencedora?
Olho ao meu redor e nada vejo!
Tenho que caminhar pelo inferno com um sorriso nos lábios…
Parece que desta vez eu perdi-me e encontro-mecompletamente sozinha!
Dizem que o primeiro passo que se dá é aquele mais longo, será?
E eu não poderei deixar a minha vida a deriva…
Quero saber porque eu tenho mantido tudo isto engarrafdo aqui, dentro de mim…
Apenas queria que me amparesssem bem firme com as vossas maos e segurassem até tudo isto passar.
O tempo passa tão rápido e eu estou tão arrependida de não vos ter dito tanta coisa…
Prometiam-me que estariam lá para me ajudar a seguir este caminho cheio de espinhos?
Pareço ser tão forte por fora,mas por dentro,estou vazia,completamente.

Memorias da infância

A mae de Annabelle partiu com ela rumo a Lisboa, entregando a bebe ao cuidado de um casal enquanto trabalhava em boites, na noite Lisboeta, pouco depois partiu para o Sul deixando a criança para trás.
Annabelle cresceu a sentir-se rejeitada,inferior e apesar do amor mútuo entre o casal e ela, o mesmo nao acontecia com a neta deles,que com ciúmes lembrava a todo instante que ela nao pertencia ali, que nao era do mesmo sangue, mesmo eles tendo assumido a responsabilidade legal pela menina.

Ela sentia-se sozinha no mundo, o pai morrera e a mãe longe, tanto de distância como afetivamente.
Aqueles anjos faziam de tudo para que ela se sentisse em casa e crescesse como uma normal e feliz mas quanto mais os anos passaram mais longe isso ficou de acontecer.

Cansada de viver pela metade!

Vivo constantemente de quases!!!
acabei por ir aceitando o pouco por estar habituada a não ter nada mas, basta!
Sou, apesar de não sentir, um ser por inteiro e não mereço ter outro pela metade.
Estou arrasada, sinto-me em baixo como já à muito não me sentia mas, mesmo assim tenho a certeza que mereço mais, que valho mais…
Sinto falta d ter um lar, de me sentir acolhida e protegida, daí talvez ter preferido viver na ilusão de que te tinha comigo, que poderia contar contigo para tudo, afinal não passava simplesmente de uma fantasia minha.
Tu não me mntiste nem enganaste, eu sim a mim mesma.

Será o destino?

Começo a chegar a conclusão que o meu destino está traçado, que por mais voltas que a vida dê e escolhas que façamos o que tem que ser será e ponto final.Mas o meu passado já o vivi e não foi cor de rosa, o presente nem faço ideia de quem sou eu!Dizem que todos teremos um propósito na vida, então o que me estará destinado?Qual será o meu fim?Dependerá de mim ou haverá uma força maior a trabalhar nele?Ultimamente, no escuro e silêncio, passo várias horas a pensar como será a minha vida e o que será de mim daqui a cinco, dez, ou vinte anos?!!??!Será o meu destino igual ao que se ouve falar da maioria das P********????Será mesmo que todos nós temos uma missão de vida? Eu apesar de sentir estar no caminho errado, sei que existealgo a fazer…há um longo processo de auto-conhecimento e busca do  nosso “Eu”, apesar que de certeza que muitos de nós nunca chega a descobri-lo. Estou confusa, ou melhor, sempre estive, mas existem coisas que não se vêm mas sentem-se.Sinto que existe algo em mim, algo superior que me põe à prova constantemente mas ao mesmo tempo protege-me de muitos males. Será que estou a ficar louca???São horas a fio que voam enquanto penso qual será o meu sentido nesta cruel vida, sei que todos os atos têm consequências, um preço a pagar que quase sempre vem com juros, então que terei eu feito de tão errado assim? 

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